CASO KÁTIA VARGAS: Médica é absolvida em julgamento da morte de irmãos em Ondina

A médica oftalmologista Kátia Vargas foi absolvida no julgamento da morte dos irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes, em 2013. O julgamento popular da acusada foi encerrado na noite desta quarta-feira (6/12), após dois dias. A juíza Gelzi Maria Souza foi a responsável por proferir o resultado.

O segundo dia foi marcado pelo interrogatório de Kátia Vargas. Ela respondeu apenas às perguntas formuladas pela sua defesa, ficando calada quando a acusação fazia algum questionamento. “Eu nunca bati naquela moto. Eu não trisquei naquela moto”, disse. “Depois do acidente, desenvolvi síndrome do pânico, tomo três antidepressivos, tenho medo de sair às ruas”, completou a médica, que chegou a chorar durante o julgamento.

DEBATE 

Finalizado o interrogatório, já no final da manhã, a acusação deu início ao debate entre as partes. “A ré que está sendo julgada não é essa mulher que está sentada aqui hoje, mas sim aquela que conduzia aquele carro no dia do acidente”, disse Luciano Assis, um dos promotores.

Assim como na terça-feira (5/12), o MP exibiu imagens dos irmãos mortos logo depois da colisão. A diferença, dessa vez, foi que o monitor estava virado apenas para os jurados.

O advogado de acusação, Daniel Keller, insistiu na tese de que Kátia Vargas, durante os quatro anos, mudou sua versão três vezes. O advogado considerou que os pontos apresentados até aquele momento qualificam crime por motivo fútil, com impossibilidade de defesa da vítima e representando perigo comum, já que ocorreu em via pública.

O julgamento durou dois dias e foi acompanhado por centenas de pessoas. Foto: ilustrativa/Dinaldo dos Santos

Já era início da tarde, depois do intervalo para o almoço, quando a defesa começou suas explicações. O advogado José Luiz Oliveira Lima elogiou a juíza. “Saio da cidade de Salvador com a sensação de que conheci uma magistrada exemplar”. O defensor elogiou a cliente. “Eu venho aqui defender a vida da Kátia. Kátia, olha pra mim! Eu te agradeço por confiar sua vida a nós nesses três anos. Eu queria dizer que eu confio em você”, revelou.

Os jornalistas que cobriram o caso foram alvos de crítica por parte de José. “A imprensa te colocou como Fernandinho Beira-Mar, um monstro, uma assassina. Mas você não sai daqui como um monstro, você não é um monstro!”, atacou. “Não se pode condenar alguém baseado nessa imprensa irresponsável”, continuou.

RÉPLICA E TRÉPLICA 

“Vocês ouviram um dos melhores advogados criminalistas do país. E que carisma! Mas não se iludam, isso é apenas uma boa oratória”. Foram com essas palavras que Daniel Keller iniciou a réplica contra o advogado da acusada. “Ele passou quase 30 minutos tentando conquistar vocês com carisma e boa oratória. Ele não falou de nenhuma prova. E pior, ele tenta mostrar Kátia como uma ‘pobre coitada’ que foi perseguida pelo MP e imprensa”, continuou.

Ainda na réplica, o Ministério Público manteve o mesmo tom. “Isso tudo que você fez é para pegar dois anos e converter em prestação de serviço a comunidade, Kátia Vargas? Quanto vale a vida de Emanuel e Emanuelle, dona Marinúbia?”, disse Luciano Assis. “As vítimas estavam indo trabalhar, enquanto a ré estava numa aula de dança”, disse o outro acusador, o também membro do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Davi Gallo.

Finalizadas as exposições de ambos os lados, os jurados se reuniram em uma sala reservada onde foi definido o futuro de Kátia Vargas. O Ministério Público da Bahia deve recorrer da sentença.

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