Polícia apura se restos mortais encontrados no Capão são de argentino

A Polícia Civil investiga se o os restos mortais encontrados no Vale do Capão, na Chapada Diamantina, é de um argentino desaparecido desde julho de 2015. O mochileiro Leornado Iudicello, 31 anos, é da cidade de Córdoba e em seu último contato com a família disse estar no Nordeste e a caminho da Chapada Diamantina. Ele viajava sozinho. 

Nesta quinta-feira (14), um crânio, um fêmur e um braço foram encaminhados para o Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Irecê e deverá ser enviado para Salvador nos próximos dias para realização de perícia de necropsia e exame antropométrico para tentativa de identificação.

O corpo foi achado na parte alta do Rio Riachinho, no distrito de Caté-Açu, e retirado na quarta-feira (13). Pelos objetos encontrados próximo, a polícia acredita se tratar de um mochileiro.

Perto do corpo foram recuperados um celular e uma câmera fotográfica que também foram encaminhados ao DPT e devem ajudar na identificação da vítima. O chip ainda estava no celular, encontrado debaixo d’água.

“Não temos nenhuma evidência de que os restos mortais sejam do argentino, apenas apuramos se é ele, já que, além dele, não há outra pessoa desaparecida na grande região da Chapada”, explica o delegado Paulo Henrique de Oliveira, titular da cidade de Palmeiras. Segundo Paulo Henrique, os pertences encontrados foram enviados para a Argentina para reconhecimento da família do turista.

O desaparecimento de Leonardo Iudicello foi registrado em um plantão da Delegacia de Seabra, também da Chapada Diamantina. O CORREIO entrou em contato com a unidade e agentes afirmaram que apenas o titular poderia dar informações na segunda-feira. 

Consulado
O cônsul Pablo Virasoro, cônsul-geral da Argentina na Bahia, disse ao CORREIO que a família de Leonardo pediu ao Ministério das Relações Exteriores da Argentina que buscas fossem realizadas na Chapada Diamantina. “A primeira busca foi realizada em julho pela polícia de Seabra, mas até agora nada encontraram”, conta o cônsul. 

As informações dadas por ele ao CORREIO são de um relatório do Ministério das Relações Exteriores da Argentina. De acordo com o documento, a última vez que Leonardo foi visto com vida foi no dia 9 de julho de 2015, na cidade de Jericoacoara, no Ceará. 

“Ele disse à família que queria percorrer a região do Nordeste. Que do Ceará iria conhecer Alagoas e a Bahia, principalmente a Chapada Diamantina”, conta o cônsul. “Mas não há certeza que ele veio à Bahia”, ponderou em seguida. 

Ainda de acordo com o cônsul, fotografias dos objetos encontrados próximo aos restos mortais serão encaminhadas à família do argentino para uma possível identificação. 

Segundo caso
Em abril deste ano, foram encontrados outros restos mortais perto da Cachoeira da Fumaça, também no Vale do Capão. Próximo estava uma bolsa térmica com os pertences do espanhol Hugo Ferrara Tormo, 27 anos. Ele estava desaparecido desde dezembro de 2015. 

Entre os pertences, um diário. Na verdade, um livro e pedaços de caderno que foram utilizados por ele, segundo a família, para explicar o que houve.

“Ele escreveu para que soubessem o que tinha acontecido”, acredita Isabel Tormo, mãe do jovem, que veio a Bahia em maio para ter a confirmação da morte do rapaz e falou à época com o CORREIO.

A família pediu em 2016 a quebra de sigilo telefônico do turista para saber se ele tinha saído ou não da Chapada Diamantina. Os parentes chegaram a oferecer recompensa de R$ 15 mil para quem conseguisse ajudar a achar Hugo. 

Segundo a Polícia Federal, Hugo desembarcou em Seabra no final de 2015 – informação divulgada em fevereiro de 2016. Desde então, não mantinha mais contato com a família, o que não era comum. Os planos eram para o rapaz seguir de Seabra para Lençóis, a cerca de 70 km, mas ele nunca chegou. Em junho deste ano, o Departamento de Polícia Técnica confirmou que os fragmentos encontrados na Cachoeira da Fumaça eram de Hugo.

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